((morango)) vai à feira

...um lugar comum no meio de tanto conteúdo especial.

19 maio 2010

Clara

...e eu acordo besta toda quarta e sexta pra levar Clara até a escola. Acordo besta porque é cedo, bem cedo, e eu gosto de dormir tarde - mesmo que seja pra ler, mesmo que seja pra pensar, mesmo que seja pra dançar. Costumo dizer que é meu eu lírico que a leva subindo a ladeira até o treino de basquete, mas quem volta pra casa é uma mãe feliz.

Redundância? Hum, I don't think so.

Faz tempo que eu gosto de ser mãe. Aliás, que eu amo, adoro e venero ser mãe. Tem gente na família que diz que eu quero ser mãe desde pequenininha, e eu acredito, afinal, essa de cuidar e doar amor sempre foi muito minha praia.

Daí que esta época do ano, o mês de Maio, assim mesmo, com maiúscula, chega sempre numa hora boa da vida, e o dia 24, que é o dia que ela nasceu porque quis, tudo sempre foi natural na Clarinha, eu efetivamente ganhei o melhor presente do mundo e doei o que há de melhor em mim pro mundo. Sim, porque um filho há de ser uma posse, já que é minha filha, mas ao mesmo tempo e com o mesmo tempero ter um quê de desprendimento total e absoluto - uma das tarefas mais difíceis da maternidade.

Eu lembro o primeiro encontro. Os olhos cerrados, as mãozinhas fechadas, o corpinho entendendo a nova dinâmica mundial, que estava tão maior do que a minha barriga que demorou um tanto pra gente se encaixar - acho que uns 30 segundos, mas tão demorados que deu medo, muito medo de simplesmente não acontecer. Lembro do enorme caminho de casa até o aeroporto quando fui pra Califórnia passar um tempo gigante longe dela, e ela ainda não acredita nas cartas que mandei, pedindo compreensão e aceitação daquele momento para um bebê de bem menos que um ano - ali entendi efetivamente o significado da palavra saudade.

Lembro de cada primeira vez, e foram tantas que seria preciso e impreciso comentar cada uma delas, uma vez que as experiências são tão particulares que dependem de CNTP pra ficarem alinhadas.

Mas agora, nesta próxima segunda-feira, dia 24 de Maio de 2010, a pequena Clara estreia no início de sua segunda década. Faz onze anos e encerra um lindo ciclo de crescimento, descobertas, angústias, medos e alegrias, sempre acompanhados do colo e beijos e broncas da mamãe, que coruja é assim mesmo. E quando eu acordar cedinho no dia depois de domingo, certamente vou chorar um pouco, só um pouquinho mesmo - talvez por percerber que o que há de novo ali é tão somente a percepção de espaço, tempo e quem sabe alguns presentes, porque o ciclo de ser mãe da Clara vai continuar em movimentos crescentes, de descoberta, angústias, medos e alegrias. Talvez por perceber que, a cada ciclo, meu colo, beijos e broncas de mãe servem tão somente pra mostrar amor.

Porque cresce. E é minha e do mundo.

29 março 2010

Ueba!

Há alguns anos criei este blog pra colocar meus escritos. Mal sabia que era um espaço, mesmo que virtual, pra extravasar. E sabia menos ainda da relevância de ter este espaço. Escrever pra mim, sem pretender ser lida ou comentada me salvou em muitos momentos - embora mande os links pros queridos e queridas pra saberem como estou e me sinta feiz quando recebo os tais feedbacks, faço um bem imenso a mim mesma quando sento, conecto os fones e coloco em palavras as sensações.

E quantas! De trocas de poesias a angústias, de amores efêmeros ao eterno (enquanto durou), das perdas que foram e voltaram a uma que faz falta no fundo do coração. Neste blog postei um tanto da minha vida. E parei.

Acho que por quase dois anos mergulhei num processo de não escrever mais, sei lá, talvez procurando foco, procurando forma, procurando algo que não conhecia, afinal. Não senti falta de escrever aqui, mas escrevi em tantos e tantos cadernos que hoje acumulo uma caixa deles - e os adoro.

Vivi um tanto de vida real, enfrentei o que achavam de mim e descobri que especialmente eu me achava tudo aquilo que não gostava de ser, e doeu muito mais saber que eu me sentia aquilo do que qualquer outra pessoa essencial. Era eu achando de mim mesma, sendo coisas que jamais gostaria de ser, por estar impregnada de rótulos. Como já escrevi aqui, certa vez, não me coloque rótulos. Sou tão óbvia, está tudo explícito, na pele - em 33 ou 37 tatuagens que me explicam pra quem interessar possa e/ou pra mim mesma, como post its eternos que vão sendo reformulados, retocados e cuidados, como a vida deve ser - mas sair daqui eles não vão, porque eu quero somar. Apagar, nunca mais.

Já questionei o porquê determinada moça bem casada tinha que beijar meu namorado e, em respeito a ele, deletei. Oi? Respeito a quem me desrespeitou? Hum... tá. Aprendendo enquanto se vive. Talvez o post não tenha sido mesmo tão necessário quanto nosso jantar de conversa franca, de adeus sincero e com toda a mágoa que me resta daquela relação. É... tem sentimento que não passa fácil, e mágoa é um deles, pelo menos por aqui. Quanto mais eu tento fazer a mágoa passar, mais ela me persegue. Mas se deixo a mágoa no lugar dela, ah, aprendi que o tempo, os carinhos, os olhares de e por outros ângulos, apaziguam e ela acalma. Como o leito de areia de um amplo oceano, a mágoa também fica quieta quando a superfície está calma.

A única coisa que não acalma em mim é o amor. Ainda cometo a paixão, está que de tão perigosa já teve os versos de Vinícius, Toquinho e do Anjo Gabriel tatuados na perna, mas a conheço cada vez mais e sei que se não virar amor, é melhor partir pra outra... mesmo que seja pra outra paixão, e assim consecutivamente. Só não vale apostar tudo na paixão. Truco!

Amo. Amo muito, e amo tanto que a energia corre solta. Danço pra mim no espelho, danço na rua, e a Clara, quem eu mais amo nesta vida, briga porque a mamãe está pagando mico. Mas danço. Danço na chuva, mesmo sabendo que com 30 a gripe vai rolar. Danço porque amo dançar. E a dança desperta mais amor e é disso que eu gosto - do ciclo do amor. De crescer no amor, de viver o amor, de compartilhar amor, mesmo que não fale porque está cedo demais pra te amar assim, eu amo. E, ai, como eu gosto desse tal de amor, que pra cada um é uma coisa, pra cada qual tem um sentido, mas é tão universal, completo e complexo que combina comigo tão bem que cada coraçãozinho desenhado pode se multiplicar all over que não tem problema.

Back on the track. Descobri o mundo, meu mundo. É tão mais simples... simples pra quem está de fora, obviamente. Me encontrei Encontrei meu formato, que tem extremidades arredondadas e agudas. Tal e qual um coração, que quem eu sou.

Amo-me. Ai, que delícia!

28 fevereiro 2010

Dança

Aula de samba rock. Quem me conhece acha estranho, à primeira vista, que eu queira aprender a dançar tal ritmo. Mas sabe o quê?

No samba rock, é o homem que conduz. Olha que chique - o homem faz assim com o braço, e a mulher gira pra lá. Faz assim com o outro braço, e a mulher rodopia pra lá. E a mulher sorri pro homem que sabe conduzir, se sente feliz perto dele. Não é lindo isso, meu santo?!?

Mariana paga as contas, administra casa, filha, trabalho, amores, amigos - e ah! não dá conta, não, é muita coisa pra uma pessoa só, mesmo que cheia de energia.

Então assim, fique claro: o homem conduz é algo muito, mas muito relevante nos últimos tempos.

18 fevereiro 2010

Sobre Poços - o olhar de uma outra geração

Como meu pai escreveu nestes últimos dias no blog dele, passamos o carnaval em Poços. Para uma moça de 30 anos, passar o carnaval com seu pai e sua filha, à primeira vista, pode parecer um tanto quanto monótono - e a bagunça? e a folia? Calma...

Poços, para esta que vos escreve, tem tanto gosto de lembranças quanto para o progenitor, e não somente das memória lembradas e relembradas - "esta é a casa que o papai nasceu" - como se não soubéssemos, afinal, há 30 anos ele faz questão de dar uma volta maior para chegar ao Quissisana e passar pela tal casa. A farmácia que fora do Seu Oscar, meu avô, também é destino certo, bem como o Colégio Marista. Mas estas são as memórias dele.

O que meu pai talvez não se desse conta é de que eu também tenho raízes em Poços. Ao chegar no condomínio, somos, eu e a Clara, minha filha, recebidas pelo Nil, porteiro que está lá desde que me conheço por gente, tranquilizando os pais e avós acerca do paradeiro de seus pequenos aprontadores, como ele chama as crianças que se encantam com as quase infinitas possibilidades oferecidas pelo Quissisana. Cavalo, piscina quente, parquinho, quadras, o lago e a piscina de fora, agora sem o trampolim alto, retirado depois de um triste acidente com um pequeno garoto. Mas este é um post feliz, então...

Logo chega a noite, e as pessoas se encontram na imensa varanda que fica na frente do condomínio. Pessoas que se conhecem há 20 anos, ou mais. A Déia chega, logo chama a Renata que está com dois filhos, um pequeno moreno lindíssimo e uma nenê linda de cílios maiores que os dela, como se fosse possível. Conversamos um pouco sobre os tempos atuais, colocando em dia uma amizade que não morre, independente de quanto tempo se passe longe. Um grito e encontro a Ju, linda como sempre, talvez um pouco mais linda do que da última vez que a vi, e o riso corre solto. Amanda chega com o Zé, e se apressa em procurar a Flora, sua filha de nove que é a grande companheira da Clarinha em Poços - junto com a Bibi e a dodó, minhas irmãs e amigas/familiares inseparáveis. Pronto, nos tranquilizamos - as duas juntas sabem que as mães deixam quase tudo, desde que estejam previamente avisadas. Nós, as mães, frequentamos o Quissisana há tanto tempo que sabemos que a vontade de aproveitar cada momento, cada lugar, cada pessoa, é tão grande que os pais acabam ficando de lado. A Flavia e o João Pedro, mãe e filho também da idade da Clara e da Flora, juntam-se ao grupo.

Um pouco depois, encontro o Téo, que é primo da Ju, e atrás dele vem a Vanessa com um nenê fofo, filho dos dois, pequeno se comparado à Clara, Flora e João Pedro - Amanda, Flávia e eu realmente nos apressamos, o que é ótimo pra nós. O Duda chega com a Andréia e uma filha loirinha de cabelinhos cacheados e tão despojada que só podia ser filha dele. Lili estava ansiosa, à mil, com a homenagem que faríamos à Tiavó, personagem inerente o Condomínio Quissisana, em nosso desfile de carnaval. Ensaiava os passos, organizava os kits, aprontava as alegorias, sem deixar de ser Lili - alegre e ponto. Ela diz que é de uma geração acima da nossa, mas chego a duvidar. Faz parte.

Na piscina, comentam sobre o Renzo. Renzo, aquele que andava de skate. Renzo, que foi meu professor de física e sim, andava muito de skate. O Fafá dá risada ao saber de detalhes um pouco sórdidos praquela hora da tarde. Encontro o Márcio, que deve pensar que sou mal criada, porque demoro um certo tempo até ligar ele à pessoa - muito, mas muito tempo se passou desde a última vez que o vi, o que não impede de abrir a cadeira e colocar a conversa em dia como se esta última vez tivesse sido no último mês. O Ude, queridíssimo do coração, conta um pouco do que está fazendo, enquanto eu, xereta, sento na mesa dele no jantar, e diz que eu não mudei nada - "mas Ude, a gente se conhece há 17 anos ou mais". Pausa para respirar.

No "esquenta" para a saída do bloco, nossas crianças estão correndo tanto quanto nós, animadíssimas por serem destaque do que, acredito eu, será história que contarão para seus filhos, nossos netos, quando estes estiverem no grande salão do terceiro andar. O ensaio da letra, todos juntos ali, maquiando, cortando camisetas, organizando e bagunçando, recebendo cada pessoa não citada aqui por pura falta de espaço, a preocupação em avisar a Tiavó sobre a homenagem - ela está com quase 90, melhor que a surpresa seja em pílula dourada - enquanto relembramos, na letra do samba enredo composto pelas meninas, do trampolim, dos bailinhos na boate, da escada de chocolate, de tantos fantasmas, do coreto, das voltas no lago.

Dezessete anos é igual a uma pessoa que está ansiosa por dirigir, sabe? É um tempo bastante considerável. É delicioso fazer parte de um grupo que se conhece há este tempo e que sabe que não importa que a rotina de São Paulo ou de qualquer outra cidade grande e avassaladora que cada um esteja morando faça com cada um, Poços terá sempre este gostinho de reencontro, lembranças e momentos únicos e inesquecíveis. Ah, se aquele lago falasse...

27 dezembro 2008

::new year, oh, come on!::


...e quando o relógio marcar meia-noite no dia 31, eu espero estar de mãos dadas com meus amores, mesmo que pra isso precise ser polvo, para que todos eles caibam em minhas mãos. E espero, ah! como espero, que lágrimas de emoção pelas conquistas deste ano que passou não se sintam tímidas em rolar, e que me levem ao encontro com as águas tão profundas de Iemanjá, e que ali, em contato com este universo místico e indecifrável, eu me torne tão mística e indecifrável quanto as palavras que postei por aqui nestes últimos tempos, e que seja por meio dos olhares, que prevêem proximidade, que me desvendem aqueles que optarem por fazê-lo.
...e então, quando o primeiro minuto do primeiro dia do ano surgir, que apareçam nele os sorrisos de conquistas arduas, de trabalho caloroso, de aprendizados valiosos e felizes que tive, e que em cada um possa aparecer o mesmo - e que mais que um ano de mudanças, este novo ano que chega seja, definitivamente, um ano de continuidade. De colheita, novos plantios, cuidado com aquilo que já cresceu, amor para com o que floresce.
...e eu quero estar perto da Clara, muito perto dela, num abraço sem fim de amor igualmente infindável, e quero receber dela o sopro de esperança inerente às crianças, e somente a elas, e que este sopro seja dourado que é pra não perder nenhuma partícula sequer. Quero estar com meu amor bem perto, pra que receba o último e o primeiro beijo do ano, e que este beijo simbolize a entrega real e intensa que me disponho a ter desde que nos encontramos, há quase um ano. E que a gente se renove, não apenas neste novo minuto, mas a cada minuto novo para que possamos reconhecer em nós as mudanças pertinentes ao tempo, mas que possamos sentir, em igual escala, que mudança alguma irá afetar o carinho e companheirismo que construimos continuamente, faça chuva ou faça sol.
...e de meu familiares, que possam estar o mais próximo possível, pra compartilhar a alegria da chegada do novo com a certeza de que nos manteremos cada vez mais próximos, independente das escolhas particulares e do tempo que podemos nos dedicar a cultivar a convivência. Mesmo que seja necessário, em alguns casos, chamar pra perto - que seja um chamado de amor e paz, e não de cobrança. E que todos os que estiverem fisicamente longe, que saibam que estão do lado de dentro, impossível retirar dali.
...praqueles que conheci, reconheci, me afastei ou me aproximei, desejo tudo em dobro. Fui leviana com minhas amizades mais queridas, e acredito que por serem tão queridas conseguiram disfarçar meus atos falhos. No primeiro minuto do ano, estarei muito, mas muito disposta a retomar meus tão conhecidos cuidados e festinhas em casa, só pra manter por perto todos aqueles que fazem, fizeram e ainda vão fazer parte dessa jornada deliciosa que venho chamando cada vez mais de minha vida.
FELIZ 2009! MUITO FELIZ EM 2009!

30 novembro 2008

::Santa Catarina e a solidariedade nacional::

Deveras triste o que está acontecendo em SC. Cidadezinhas inteiras destruídas, milhares de pessoas desabrigadas, sem lar, sem comida, sem suas roupas, com a integridade ameaçada por causas naturais. É certo que fomos nós, as pessoas, que contribuimos diretamente pro tal do aquecimento global e que mal perdemos por esperar pelo que vem por aí quando se trata da mãe natureza. Imprevisível, como quase todas as mães, ainda mais quando maltratada... Não curto muito a Globo, mas vi ontem o prêmio de publicidade deles e tinha um institucional muito incrível que vale a visita - e o prêmio que ganhou.

Mas este texto é pra destacar o - único, talvez - ponto positivo desta crise toda. A solidariedade de todo o povo brasileiro, que acaba tendo notoriedade em momentos de calamidade pública. Mas caso você ainda não saiba, a solidariedade se apresenta em diversas formas durante o ano todo em alguns lugares, e é sobre isso que eu quero falar - porque é Dezembro, logo Natal, logo época de todo mundo fazer aquele balanço anual e há de ter coisas muito boas por aí.

E tem. A tia Marta, querida arquiteta do coração, vive mandando e-mails de amigas, conhecidas e gente que recolhe, acolhe e encaminha animais pra adoção - e isso é tão bonito, mas tão bonito, que a gent nem percebe que essas pessoas fazem o bem de coração sempre, o ano todo. Então, se quiser adotar um cãozinho lindo, fofo, e praticar o bem recebendo e doando amor, clica aqui ou manda via comentário o e-mail pra receber informações e fotos dos pequerruchos.

O Hélvio e a Leila, com a família toda gostosa deles, também fazem o bem há tanto tempo que eu nem sei quanto, por intermédio da religiosidade. Recebem na casa deles um tanto de gente desconhecida que acaba virando amigo, família mesmo, pra orientar, cuidar, trocar energia e bons papos. O Hélvio ficou doente, e esse tanto de gente que se reunia na casa dele pra receber inverteu a operação e começou a ir pra doar, fazendo orações e tendo cuidados e atenção tão bonitos de se ver que eu me envergonho, particularmente, de ser tão enrolada e deixado meu espaço vazio por lá - mesmo que pense positivamente e ore todos os dias pela saúde e força de todos, reconheço que poderia ter feito mais... momento chato, esse meu, de ficar no casulo.

Tem um pessoal aqui no prédio que está recolhendo coisas pra mandar pra Santa Catarina, por intermédio da Cruz Vermelha, e isso é também muito bacana de se ver em tempos de crise. Mesmo que todo mundo esteja sem dinheiro pra isso, sem gás praquilo, a portaria está lotada de doações de gente que se importa com o outro sem restrições e quer ajudar. Vale lembrar que nem sempre somos solidários com nossos próprios vizinhos, e isso é um tema que um dia terei suporte pra abordar, mas que nestas horas de caos fica nítida a sensação de que as pessoas são do bem, de maneira geral, e querem, sim, ajudar às outras.

E daí que é uma felicidade grande escrever sobre isso num momento pessoal de reclusão, de desemprego, de me virar como posso e mesmo assim me sentir meio que mal por reclamar da vida que tenho enquanto há bichinhos, pessoas, famílias e toda sorte de espécies do mundo em situação muito, mas muito pior que a minha por aqui e por ali, e atesto mais uma vez: escrever é um santo remédio pra observar. Pratique.

24 novembro 2008

::Não, e não, ponto final - simples pra quem?::

"...e onde estão as fadas quando a gente mais precisa delas?..."

Meu guia de vida vendido nas bancas, a Revista Vida Simples, traz este mês um tema já abordado pela banca vermelha - alô, sou tendência! - e discutido a duras penas por todo e qualquer ser humano, seja exterior ou interiormente. Afinal, quem nunca teve dúvidas pra dizer NÃO que atire a primeira pedra... mas lá, pro outro lado, que eu não quero me machucar (o que tenho já basta).

Dizer não requer prática, consciência, sabedoria quase que ancestral - afinal de contas, palavrinha que estabelece limites jamais passa assim, batido. O não em sua infinita finitude traz pontos. Pingos nos is. E isso tem importado deveras por aqui.

Neste final de semana passei por diversas situações as quais o não teve de se fazer presente. As mais importantes foram relacionadas ao meu amor maior, a pequena Clara. Ai, como é difícil manter o não pra uma menina de nove anos que questiona até o que me parece óbvio: meu amor por ela. E não é drama - Clara vive um momento de "tenho certeza que você me ama, mas as pessoas mudam e me dá um medo de você me largar...". Sim, Clarinha. As pessoas mudam. Tantas e tantas vezes é muito chato ser mãe, dá vontade de tirar férias e ficar sozinha, cuidando de mim mesma e fazendo somente isso. Mas não, Clarinha, não existe, nesta nossa configuração de mãe-e-filha, realizar qualquer mudança na vida que não te inclua com os privilégios de amor-maior e cuidados da vida real, seja com o que a gente vive e/ou com o que a gente imagina.

Reconheço que entrei numa força tarefa das mais brutais nos útlimos tempos, uma correria ensandecida pra chegar perto de quem eu sou e do que quero ser, e aí está um dos pepinos mais amargos do dia a dia. Mudar interfere em todas as relações. Mas como avisar a quem se relaciona que, olha, vai passar, é um processo, tenha calma que tudo vai dar certo, e vai mesmo, porque estou fixando bem as raízes na terra, regando muito cuidadosamente e apesar do turbilhão está tudo tão coerente que não tem como me desviar deste plano... tarefa complexa. Mas mãe que é mãe segue adiante.

Falar não pra Clara é algo que desperta em mim um cuidado maior. Pra ela, este algo se transofrma em desamor. Pane geral no sistema. Minha cabeça gira, o coração aperta, e mal sei por onde começar a reformular ciclos de aviso que a situação está sob controle. O não ajuda muito. Mas... mas... é preciso um exercício enorme de assertividade pra não temer o que segue o não. Uma vez falado com todo amor que há nesta vida, conhecedor de cuidados e limites, tanto os meus quanto os da grande vida da minha vida.

E neste abraço eu nos conforto, que quando eu te encontro me encontro, e quando me encontro a vida se faz vivida.

O ((morango)) encontra